Imagine por um instante
que você está visitando um viveiro de plantas.Você percebe uma agitação lá fora
e vai investigar. Você encontra um jovem assistente lutando contra uma roseira.Ele está tentado
forçar as pétalas da rosa a se abrirem, e resmunga insatisfeito.Você lhe
pergunta o quê está fazendo e ele explica: "meu chefe quer que todas essas
rosas floresçam essa semana, então na semana passada eu cortei todas as
precoces e hoje estou abrindo as atrasadas".Você protesta dizendo que cada rosa
floresce a seu tempo, é absurdo tentar retardar ou apressar isso.
Não importa quando a rosa vai desabrochar - uma rosa sempre
desabrocha no momento mais oportuno para ela. Você olha novamente a rosa e
percebe que ela está murchando, mas quando você o alerta, ele responde:
"Ah, isso é mau, ela tem disdesabrochamento congênito. Vamos ter que
chamar um especialista". Você diz: "Não, não! Foi você quem fez a
rosa murchar! Você só precisaria satisfazer as
exigências de água e luz da planta e deixar o resto por conta da
natureza!"Você mal consegue acreditar no que está acontecendo.Por quê o chefe dele
é tão mal informado e tem expectativas tão irreais em relação às rosas? Essa
cena nunca teria se passado em um viveiro, é claro, mas acontece todo o dia em
nossas escolas. Professores pressionados por um sistema seguem calendários
oficiais que exigem que todas as crianças aprendam no mesmo ritmo e do mesmo
jeito. No entanto, as crianças não diferem das rosas em
seu desenvolvimento: elas nascem com a capacidade e o desejo de aprender, e aprendem em
ritmos diferentes e de modos diferentes.Se formos capazes de satisfazer suas
necessidades, proporcionar um ambiente seguro e propício e evitar nos
intrometer com dúvidas, ansiedades e calendários arbitrários, aí então - como
as rosas - as crianças irão desabrochar cada uma
há seu tempo.
Por Jan Hunt, Psicóloga Diretora do "The Natural Child Project”.
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